Aleatório - Parte 1

Bem, alguns vão estranhar o texto, que a propósito não tem nada a ver com nenhum mês-aniversário meu aqui nos Estados Unidos, mas to aqui aproveitando o espaço pra explorar um pouco mais do meu eu, naquela coisa de conversas 'a sós com o nosso eu interior', sabe assim? .. lá vai!

Descobri certa vez - sem saber nem quando, onde, dia ou hora - que tenho uma sensibilidade ainda não muito bem compreendida de falar com o coração. Sentimentalismo à parte, nunca descobri outro jeito mais inteiro de me expressar se não por cartas, textos e muitas anotações em folhas avulsas. Cultivo em mim a coragem de sempre tentar entender os meus, e não satisfeita, os sentimentos dos outros tambem. Tenho uma mania involuntária de analisar o que se passa quando o assunto em pauta é sentimento. Talvez eu seja mais uma daquelas reencarnações do DNA de Shakespeare perdidos pelo mundo. 

Me espanto por sempre encontrar soluções pacíficas de 'acalentamento' para as minhas interrogações sentimentais. E antes que muitos entendam 'sentimentais' somente por amor, faço uma pausa aqui para explicar  que coloco sentimento até em um copo de leite com nescau; tudo tem sentimento e fim. Alguns podem me julgar por pensar ao contrário, talvez a vida realmente não seja tão assim, como posso dizer.. resolvida! Bem, saber interpretar sentimentos é uma das tarefas mais difíceis, porem, mais prazerosas que encontrei em toda a minha existência. Sei que lidar com um mundo abstrato e incerto é de uma imensa loucura, mas é uma loucura coerente, saber entender sensações, dar nome aos sentimentos, saber a resposta para uma dor é de fato algo de extrema plenitude. Então me dou esse prazer aleatório por ora ou outra.

Minha maior satisfação é ser declaradamente uma psicóloga nata nesses assuntos aversos da realidade cruel de cada sentimento, seja ele de amor, dor, partida, perda e/ou vazio. Custei a entender cada um deles dentro de mim - e ainda não totalmente -, mas, por um longo período me dispus a estuda-los sem a menor urgência de respostas.. aprendi apenas à identifica-los, e sobretudo, à respeitar a dor e o prazer de viver cada um, absorvendo na teoria e tambem na prática.

Prepotência ou não, minha liberdade de poder ser quem eu sou, é o que me induz indiretamente à esse mundo regado de muito romantismo e otimismo, nunca acreditei que pudesse seguir adiante na minha vida se eu tivesse míseros 0,5% de pessimismo em qualquer coisa que eu fosse fazer. Francamente, foi desse jeito que as coisas começaram a se encaixar para mim - como peças de um quebra cabeça infinito -. Gostaria sim que as pessoas fossem mais sentimentais, talvez assim formaríamos idéias muito mais progressivas num geral; seja na vida pessoal ou no mundo. Sei lá, talvez a minha visão 'super ultra mega' otimista cause um pouco de cegueira naquelas pessoas descrentes de uma vida com respostas - mesmo que temporárias -, mas inteiras. 

Algumas pessoas - que certamente não sabem quem eu sou ou até mesmo àquelas que acham que me conhecem - pensam que eu vivo no mundo à parte por ser alguem que ainda acredita em mudanças, verdades, esperança e até mesmo no amor. Me considero leiga nos assuntos do coração, embora eu me sinta plena em entender - ou tentar - um mundo incerto dos sentimentos - meus, seu, nossos - e que insistem em continuar nos colocando em xeque-mate em certas circunstancia. Mas aí é que tá, a estratégia de todas essas armadilhas que a vida nos coloca no caminho, seriam de fato muito mais fáceis de serem compreendidas e resolvidas, se nós acreditássemos mais em nós, no que sentimos e tambem no que queremos ver de diferente um pouco mais à frente dos resultados esperados. Em suma, toda essa baboseira que falei aqui irá servir de algo para muita gente que - assim como eu - sente fome de vencer e mudar todo o sentido da vida, de forma que se acrescente mais paz, mais entendimento.. e saber que a auto ajuda é, no entanto, a resposta da grande parte de suas perguntas atualmente sem respostas.

Como prova de que seremos sempre sentimentais e que colocamos na balança o sentimento e a razão sempre diante de qualquer ação, reação ou resultado, resolvi testa-los com uma tentativa de acerto nessa falta de organização para com os próprios sentimentos:

-  Faça uma pergunta de frente para o espelho (ou que seja só em frente ao monitor do seu computador), pergunte algo como: " Então porque agi daquela maneira com fulano?" e ouça a resposta que - assim como num dicionário virtual- vão surgir logo em seguida da pergunta.

Pois é, virão muitas respostas, a primeira resposta é sempre egoísta, irracional, fria e julgada -a princípio- como a mais correta. Com certeza nessa primeira resposta voce se achará a dona (ou o dono) da razão.. e só assim, após deixar essa vaga resposta se esvair pelo silencio do inconsciente, é que vem a segunda resposta, aquela pensada, original, sensível e que vem do coração. 

Essa mania suja de querermos resolver tudo do nosso jeito, é só mais umas daquelas coisas -egoístas-  que o ser humano criou como pretexto para complicar ainda mais a evolução da nossa espécie.

Ate breve,
Luciana




" Eu sou uma eterna apaixonada por palavras. Música. E pessoas inteiras. Não me importa seu sobrenome, onde você nasceu, quanto carrega no bolso. Pessoas vazias são chatas e me dão sono. Gosto de quem mete a cara, arrisca o verso, desafia a vida. Eu sou criança. E vou crescer assim. Gosto de abraçar apertado, sentir alegria inteira, inventar mundos, inventar amores. O simples me faz rir, o complicado me aborrece ".

(Caio F. de Abreu)


2 comentários:

Luana Silva disse...

Luuuuuuuuu, adoreiiii! Parabéns pelo post... e é muito realll... concordo em número, gênero e grau! "Essa mania suja de querermos resolver tudo do nosso jeito, é só mais umas daquelas coisas -egoístas- que o ser humano criou como pretexto para complicar ainda mais a evolução da nossa espécie."
Sensacional!
Bjssssss...

Letícia disse...

muito bacana sua reflexão, melhor ainda foi sua solidariedade em compartilhar!

"Prepotência ou não, minha liberdade de poder ser quem eu sou, é o que me induz indiretamente à esse mundo regado de muito romantismo e otimismo..." adorei!

Adoro aquela frase da música de Cássia Eller que "Sou poeta e não aprendi a amar", porque o amar é muito mais do aquilo que entendo, mas não desisto de compreender!!

bjuuuu
Fika na paz!