Solidariedade: O valor de um sorriso.

Me pergunto o que muitos entendem por "Solidariedade", e hoje vou partilhar de uma história da minha-nada-mole-vida.

Meu post hoje é inspirado em um ato que sem a menor pretensão de ganhar um 'concurso' solidário, foi antes de mais nada, um gesto que desde criança acompanho e vivo de perto. 

Ainda quando criança tive a oportunidade de frequentar creches, orfanatos, instituições carentes, asilos e até levar marmitas para moradores de rua. Tive desde pequena a referência da minha mãe como a maior filantrópica que já conheci, voluntária de natureza, minha mãe sempre me passou essa influência de ajudar o próximo sem pensar em qualquer retorno que pudesse existir. Nesses meus 24 anos sempre gostei muito de ajudar, tentar ouvir o próximo, fazer alguém se sentir importante e dentre as várias vezes que pude fazer isso, tive a sensação de missão cumprida, um verdadeiro combustível vital.

Durante esses meus 24 anos - já devo ter citado que - morei em vários lugares que talvez me fizeram enxergar a vida com um olhar mais humano hoje, coisa que alguns dos meus amigos talvez nunca tenham nem chego perto da realidade que vivi. Não nasci em berço de ouro, meus pais desde sempre se esforçaram para que pudessem me dar uma boa educação, que mesmo com sacrifícios, tive muitas oportunidades boas na minha vida. O que muitos não sabem é que entre os vários lugares maravilhosos que já morei, vivi um verdadeiro "intercambio" em uma das regiões mais perigosas do Rio de Janeiro. Com orgulho digo que meus avós por parte de pai moraram em Vigário Geral, bairro com alto índice de criminalidade, porem, com pessoas que me fizeram desenvolver um dom sensível de entender as fragilidades do ser humano, lugar onde até hoje moram pessoas humildes e alguns que também vi morrer por conta do caminho que escolheu, nessa época morei com meus avós, apesar de todo um mundo rebelde do lado de fora da casa, dentro, tive o mais importante: amor.

Passado a fase de morar em um bairro humilde, com pessoas que tive o prazer de ser referência e de poder ajudar - lembro bem quando eu podia dividir meus brinquedos com as crianças que encantadas, se divertiam mais com meus brinquedos do que eu, e desde sempre eu já tinha um olhar simples sobre essa felicidade e que me divertia até entender o que isso era de fato. Morei 3 anos em Vigário, e depois dessa fase, meus pais melhoraram de vida, fomos para um apartamento, e depois me mudei para São Paulo, onde morei em bairros nobres como Perdizes, Brooklin, morei em Santos e em 2011 quando tive a oportunidade de morar nos EUA através de um intercambio. 



Nessas mudanças, sempre carreguei um pouco dos ambientes e pessoas que conheci, e sempre me desfiz do que já não mais me servia, desde objetos à sentimentos, sempre em um tentativa de me sentir evoluída, mais humana e com aquela sensação de paz interior. Nessa caminhada modesta de 24 anos, acompanhei a realidade de pessoas que choraram por um prato de comida e pessoas que conquistaram prêmios da alta sociedade. Pude viajar pelo país em 1998 conhecendo o interior e costa brasileira. Tive a oportunidade de ver muitas pessoas chorando de saudade do ente que se foi e pessoas chorando por achar que o final de um relacionamento levaria junto tambem a vida.

Ainda em 2006, passei por uma situação forte em que uma das minhas grandes amigas descobriu estar com leucemia, depois de alguns dias de quimioterapia e de visita-la em condições sensíveis no hospital, me sensibilizei por assistir tão perto a vida da minha amiga naquele leito de hospital e resolvi que doaria sangue pela primeira vez na vida, de todo jeito quis ajuda-la, carreguei minha mãe comigo e encontrei outras pessoas que tambem estariam lá naquele gesto humano de doar sangue a fim de salvar a vida da minha amiga Rúbia, que hoje descansa com os anjos. Não tive a sorte de conseguir alimenta-la com uma transfusão de sangue, naquela mesma tarde em que doei soube que ela havia falecido, mas até o fim prestei minha solidariedade com a mãe da Rúbia, chamo-a de Tia Sandra, que, muito embora o destino tenha nos tirado a Rúbia, antes ainda com saúde, a "Ru" pediu para que a tia Sandra adotasse uma criança, e hoje, na ausência da minha querida amiga, tenho a Maria Eduarda, com 9 anos. Hoje em dia aproximei a minha mãe da Sandra, e que depois desses anos, tive a graça da minha mãe engravidar, e com amor, saber que hoje a mãe da minha amiga que hoje olha por nós lá do céu, é a Madrinha de batismo da minha irmã, o que criou um laço familiar onde tive a sorte de ganhar uma "segunda-mãe", um "segundo-pai" e uma "segunda-irmã". Muito embora o destino não tenha me ajudado quando dei o melhor de mim para doar meu sangue e ajuda-la, ele me deu a chance de confortar para sempre a família dela, que hoje é minha familia tambem.



Não me sinto mais e nem menos que qualquer uma dessas pessoas que passaram pela minha vida, tão pouco gostaria de citar todas, mas delas posso citar o que me faz querer sempre tirar do meu para ajudar a quem mais do que eu, precisa. Lembro quando na escola me faltava 1 real para o lanche e ninguém tinha para emprestar, mas lembro bem das vezes que deixei de comer meu lanche para dividir com quem esquecia em casa. Lembro quando menor, quando a minha mãe sentava comigo no chão do meu quarto, de frente para o meu armário de brinquedos e separava comigo dezenas e mais dezenas de brinquedos que eu já não ligava mais deles estarem ali, saímos de casa com 2, 3 sacos daqueles de lixo cheios de brinquedos e roupas, e íamos rumo um orfanado no bairro de Santana, em São Paulo. Nunca me esqueci desse dia, acredito que eu tinha entre 8 e 9 anos, e fui com ela levar aquele monte de brinquedos para crianças que nunca tinham visto uma barbie. Consigo me lembrar os olhares voltados para mim, como se eu fosse um verdadeiro "Papai Noel", e que tinha o tesouro daqueles olhares ímpares, singulares, sinceros e puros de qualquer maldade que fosse. Neste mesmo dia vi o mar de brinquedos espalhados pelo playground sem cor daquele orfanato, brinquedos que um dia foram meus e que fizeram daqueles olhares de esperança,  o sorriso, a alegria e a esperança de alguém entrar pelo portão daquele lugar e doar atenção, amor, carinho e felicidade aos que aos nossos olhares são especiais, mas que no âmago daqueles "sereszinhos" só se sentem mais 1 em 1 milhão.

Não só essas experiências, mas outras como montar marmitas e ir no meio da madrugada entregar aos moradores de ruas, alguns bêbados, outros drogados, mas todos tambem com esperança no olhar e histórias das mais diversas para compartilhar. O "muito obrigado" de alguns que com fome, tinham um olhar desconfiado para com aquela ação humana, me lembro bem quando entregada uma marmita para um morador de rua, e não tão distante, eu avistava outros vindo em minha direção, na tentativa de que a minha ação de solidariedade matasse a fome de dias que muitos ali estavam. 

Portanto, meus caros amigos e leitores, nunca hesitem em ajudar a quem precisa, se não com dinheiro, então com algo que contribua para que aquela pessoa se sinta especial. Uma saudação, um sorriso ou mesmo um ombro amigo a fim de ouvir o que alguém precisa contar, isso pode não significar nada para você, mas pode mudar o universo de alguém. Ajudar não significa necessariamente só contribuir, mas respeitar, entender, participar da vida de quem não teve a mesma sorte que nós.



Quando me irrito com alguem, procuro - embora nervosa - não julgar, não se sabe o que se passa na vida desse alguém. Tento respirar, vejo a intensidade da minha irritação, da minha raiva e começo a olhar para mim, quem eu sou hoje, meus valores, meu caráter, minhas qualidades e defeitos, começo a ver a situação de outro ângulo. Tenho uma mania desde criança de sempre que alguem aumenta o tom de voz comigo, me fecho no casulo e não respondo, procuro não dar mais motivos para dar continuidade na situação desagradável, e mais uma vez me pego pensando nas minhas ações, no que eu instintivamente aprendi a ser, a entender minhas reações, minha paciência, minha capacidade de tentar compreender o próximo a fim de ajuda-lo. 

Me encontro em um estado pleno da minha vida, nos aspectos que se diz externos, procuro aceitar o que a vida me deu pelo meu esforço, e que mesmo cansada, corro atrás dos meus sonhos, objetivos e tenho o maior desejo do mundo de poder sempre ajudar o próximo de forma mais intensa, da vontade de doar parte do meu salário para uma instituição até da vontade de adotar uma criança. Da vontade de contribuir para que o mundo tenha mais amor no olhar, que tenhamos fé para mudar uma humanidade que ainda sofre com maldades desvairadas, mas que praticando o pouco que aprendi, um dia chego longe.

Então, que todos que leram até aqui tenham em suas mentes a consciência, de que a vida não são só fotos bonitas, festas, bebidas, flashs, dinheiro e status, mas que do outro lado da moeda há vidas que gritam por um pouco de atenção, que não tiveram a mesma sorte, as mesmas oportunidades para desfrutar de uma vida confortável e estável, por isso, peço de alma e coração que pensem e re-pensem suas ações, suas escolhas, seu jeito de agir, de julgar e que abram os olhos para o mundo que está alem dos contos de fadas.




" O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá. "
(MADRE TERESA DE CALCUTÁ)

Luz e Paz,Luciana.

Um comentário:

Marina Resende de Castro. disse...

Lulu, sempre amo ler vc! Que bom saber que além de uma menina linda, há uma alma iluminada! Beijos, Marina.